O Pedro e o Capitão em FESTA – O País

O Pedro e o Capitão em FESTA – O País

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O Pedro e o Capitão em FESTA

14-01-2017

O FESTA – Festival de Teatro Angolano dá o seu pontapé de saída hoje dia 12 de Janeiro, no âmbito da segunda fase, que decorre nos próximos seis meses, da IIIa Trienal de Luanda organizado pela Fundação Sindika Dokolo (FSD) sob a Insígnia da “Utopia a Realidade” . O Festival acontecerá no palácio de ferro, de 12-15 de Janeiro do corrente ano, estarão à disposição do festival três palcos e as actuações vão das 19h as 23h30, reservando- se 1h30 para cada actuação, as companhias convidades são; Julu, Amor a Arte, Dadaísmo, Estrelas de África, Pitabel, Elinga Teatro, Nguizane Tuxicane, Cena Livre, Miragens Teatro, Etu Lene e a NET (Núcleo Experimental de Teatro criado entre o Elinga-Teatro e a FSD), é sobre a actuação dessa última companhia de que nos vamos debruçar, falando sabre a peça “O Pedro e o Capitão” e todos os outros elementos técnicos constitutivos.

A peça o “Pedro e o Capitão” em sinopse é uma larga conversação entre um torturador e o torturado, em que a tortura não estará presente como tal, mas sim a grande sombra que pesa sobre o diálogo. A peça define-se como uma indagação dramática na psicologia de um torturador. Algo assim como a resposta ao porquê, ou mediante que processo, um ser humano normal pode converter-se num torturador. Apesar da tortura ser o tema da obra, como um feito físico, não figura na cena. Como tema artístico, a tortura pode caber na literatura ou no cinema, mas no teatro pode se tornar numa agressão demasiado evidente para o espectador. Ou seja, como a peça vai apresentar, a ideia e a imagem que teremos da tortura serão sustentados pelo diálogo do Pedro e o Capitão.

Essa peça foi escrita por Mario Benedetti [1920-2009) foi um poeta, escritor e ensaísta uruguaio. Integrante da Geração de 45, a qual pertencem também Idea Vilariño e Juan Carlos Onetti, entre outros. Considerado um dos principais autores uruguaios, ele iniciou a carreira literária em 1949 e ficou famoso em 1956, ao publicar “Poemas de Ofi cina”, uma de suas obras mais conhecidas. Benedetti escreveu mais de 80 livros de poesia, romances, contos e ensaios, assim como roteiros para cinema. Segundo MEIRINHO MENDES tradutor, encenador,

actor, figurinista e cenógrafo, da peça em o Pedro e o Capitão os quatro actos são um mero intermédio, tréguas entre tortura e tortura.

São breves períodos em que um interrogador recebe um detido que foi prévia e brutalmente espancado. O torturado pode não ser apenas uma vitima indefesa, condenado à derrota ou à delação. É também um homem que usa o silêncio como escudo, como arma. Um homem que prefere a sua morte à traição. A peça é sustentada com a seguinte CENOGRAFIA; apenas uma cadeira e uma mesa. Sobre a mesa há um telefone e uma máquina de dactilografar. Não deve dar a impressão de uma cela, mas sim de uma sala de interrogatórios.

A peça dramatizada por Rogério de Carvalho e com a técnica de Nuno Martinho, terá como actores Meirinho Mendes e Correia Pelinganga Adão de que falaremos de seguida; MEIRINHO MENDES [encenador e actor] nasceu em Luanda, Angola em 1970. Iniciou a sua actividade artística em 1989, no Teatro Elinga, Luanda. Desde então tem participado em vários projectos de teatro, cinema, televisão e dança entre Angola, Portugal e Espanha, países onde viveu, estudou e desenvolveu a sua actividade artística. Frequentou a escola de teatro e cinema da faculdade autónoma de Madrid, e os cursos de coreografia, clown e de contador de histórias na Accion Educativa de Madrid.

Das suas diversas actuações destacam-se “Edmond” de David Mamet, com encenação de Adriano Luz, “La Isola Desabitata” de Joseph Haiden, com encenação de Luís Miguel Cintra, no Teatro da Cornucópia, e diversas actuações com os encenadores José Mena Abrantes, Rogério de Carvalho, João Brites, Eleonore Didier. Entrou em algumas séries televisivas e trabalhou como contador de histórias. Em cinema entra nos fi lmes angolanos “O Comboio da Canhoca” de Orlando Fortunato e “A Cidade Vazia” de Maria João Nganga. Participou activamente na criação do primeiro canal privado de televisão em Angola, a T.V. ZIMBO, como director de actores, casting e selecção, na revisão dos guiões e actor.

CORREIA PELIGANGA ADÃO [actor] nasceu em Luanda, Angola em 1973. Iniciou a sua actividade artística em 1991 no grupo Kufi kisa e desde então tem participado em vários projectos: A mulher Sem Pecado. Brasil/Rj, Festlip/Luanda; O cego e o Paralítico. Brasil/RJ. Festlip; O cego e o Paralítico. Mindelact/Cabo- Verde; O Jantar de Idiotas. Angola. Elinga- teatro; Adriana Mater. Luanda, Brasil/SP; Adriana Mater. Mindelo/San-vicente; A Errancia de Caim. Angola/ Luanda e Brasil/RJ. FESTLIP; Kimpa- Vita. Luanda, Brasil/Curitiba; O Moribundo que não queria morrer.

Luanda; Na Nzwa e Amira; Os Quadros Vetusto, CDC; Companhia de dança contemporânea. Luanda; Serqueira Luís Lopes ou o Mulato dos Prodígios. Portugal (Lisboa,Évora,Coimbra e Braga). Brasil/ SP; Sombra e Luz. Luanda; Nga Madiya e Catorzinha. Luanda/ teatro avenida; A Humanidade. Luanda/infac, Elinga Teatro. CINEMA: A Menina da Marginal ou Momentos de Gloria, Semba Produções; O Alembamento, de Mário Basto. TELEVISÃO: Telenovela, Jukula o Mesu. PUBLICIDADE: Anip, Angola em movimento, entre outros.